*smile*

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I love music, theatre, photography, figure skating, life, peace, New York, british accent, 'The Lord of the Rings', ice-cream, cupcakes, summer, sea, snow, Jesse Tyler Ferguson, Neil Patrick Harris, Jamie Bamber, Matthew Rhys and CHOCOLATE. That's pretty much me.

23 January 2012

Orgulho de Ser Quem Sou


Há apenas duas coisas que me fazem sentir completamente orgulhosa de ser quem sou, de nascer onde nasci, de fazer parte daquilo que faço parte. São elas a minha família e o meu país.
Pode até parecer a coisa mais descabida que alguma vez disse (neste caso, escrevi), mas eu disseco as minhas duas primeiras frases para me perceberem um pouco melhor.
A minha árvore genealógica, tanto nos ramos do papá, como da mamã é, por si só, uma razão para estar orgulhosa. Começo por falar do meu bisavô (pai da mãe da minha mãe), ele fez parte da Guarda Real (durante a tropa) e teve seis filhos, e a meio da sua vida a sua mulher cegou num espinheiro (a minha família só tem acidentes destes), além disto ele era caixeiro-viajante a cavalo (ora, ele andava de terra em terra a vender facas, navalhas e malas) e, para meu espanto, morreu em 1961, aos 72 anos de idade, isto nesta altura era quase ancião.
Ora, o pai do meu tetravô (pai do pai do pai do pai do pai da minha mãe) foi o fundador da aldeia onde vivo, veio do Arrimal (Porto-de-Mós) e fornecia Lisboa com queijos, galinhas e ovos que levavam em carroças do Alto da Serra (aldeia onde vivo). Saltando umas quantas gerações passo então ao meu bisavô (pai do pai da minha mãe) que aos 9 anos (completando a sina de acidentes interessantes na minha família) foi mordido por um bicho e teve que ter o braço direito amputado e até casar continuou a fazer o tal fornecimento do Alto da Serra para Lisboa. Após o tão afamado casamento passou a ser ajuntador de azeitona e vendedor de Sal, visto que aqui na terra ao lado existem as únicas Salinas Naturais sem mar do país, e fornecia o sal para a Nazaré. Durante a 2ª Guerra Mundial fazia candonga (contrabando) de arroz e o meu avô foi apanhado a vender esse tal arroz, mas como só tinha 14 anos, foi o meu bisavô que foi preso e sentenciado a 90 dias de prisão e a fiança eram 4000$00 (o que na altura era um balúrdio, no bom português), durante este tempo que passou na prisão rebentaram-lhe as várias varizes que tinha nas pernas, e como ele tinha quase 2,00m e era corpulento, teve que usar cadeira de rodas já no final da sua vida, e para seguir a duração de vida tão característica da nossa família morreu aos 80 anos no ano de 1972.
Passando então aos meus avós maternos, a vida deles não foi muito interessante, mas o meu avô continuou, de certa forma, o legado da sua família cuidando da nossa aldeia, o meu tão amado Alto da Serra e foi também nas palavras da minha mãe um pai muito para à frente, visto que até à minha tia, só os rapazes aqui do sitio é que iam estudar e ele pôs as suas duas filhas na escola na cidade mais próxima, inclusive a minha mãe que foi a primeira mulher da terra a ter completado o Secundário, e a minha tia só não o completou (na altura) porque não havia em Rio Maior (cidade mais próxima), só havia nas Caldas da Rainha. Além disso, o meu avô pertenceu à Direcção da União Desportiva de Rio Maior, incentivando assim as suas filhas a fazer desportos.
Passando ao lado paternal, sabe-se pouco. Sabemos que era uma família grande e importante na Venda da Costa, mas mesmo assim sabe-se muito pouco. O meu bisavô (pai do pai do meu pai) foi Sargento-Enfermeiro na I Guerra Mundial, e depois de voltar comprou várias herdades e após morrer, em 1950, deixou-as aos filhos, causando grande discussão. Sim, porque a minha família, além de acidentes, tem também um grande historial de problemas com partilhas. O meu avô trabalhou toda a sua vida, no campo. Tinha também uma adega e trabalhava de dia e de noite, literalmente. Casou e teve 4 filhos, todos muito pouco saudáveis, mas aquele que mais choca é mesmo o meu pai, que em 1960, nasceu com 900g gramas (a minha mãe diz que quando pensa nisto só se lembra dum quilo de açúcar, go figure) e com múltiplos problemas de coração.
O meu avô acabou por morrer quando o meu irmão tinha apenas um ano, envenenou-se com veneno para ratos, mas deixou-me a melhor coisa de sempre, a sua espingarda. J
Tanto a minha mãe como o meu pai lutaram para conseguirem chegar onde chegaram, e o meu irmão ainda hoje luta para ser quem sempre sonhou ser, é ele que me dá força para seguir o meu sonho…
Deixando agora a minha família de lado, e passando ao meu país. Sei que o meu país é o que tem a mais rica das Histórias e o mais belo dos povos.
Sempre me interessei muito por História, talvez por causa da minha família, talvez por ser portuguesa e ter uma História tão bonita, não sei bem porquê, mas sei que a História me faz bem. E a História de Portugal, faz-me muito bem.
Portugal é um país de lutadores, de corajosos, de honrosos. Sempre foi, sempre será, a começar por D. Afonso Henriques e a acabar em Salgueiro Maia, passando por D. Dinis, D. Pedro I, D. João I, Infante D. Henrique, D. Sebastião, D. Maria I, D. João V, Marquês de Pombal, D. Maria II, D. Carlos I, Maria Pia e António de Oliveira Salazar.
Orgulho-me de ser portuguesa porque nos momentos mais difíceis nós* rezamos a Deus para ter honra e tentamos sempre ter coragem.

Tenho apenas duas coisas que simbolizam tanto a minha família como o meu país, uma do lado do mau pai outra do lado da minha mãe. Posso-vos apenas mostrar a que é do lado do meu pai. Esta moeda é de 1910, como se pode ler na inscrição e era do meu bisavô, ele deixou-a ao meu avô e quando o meu avô morreu, o meu pai trouxe-a para nossa casa. 







* eu não rezo a Deus, mas vocês percebem a ideia. 

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