Não
sei bem se consigo fazer isto. Não sei se consigo estar perto de ti e não te
poder tocar. Não sei se consigo esquecer tudo aquilo que me disseste, tudo
aquilo que senti, tudo aquilo que pensei ser verdade. Eu amei-te, aliás, eu
ainda te amo, e por isso não sei como agir. Eu adoro-te tanto, e eu não estava
nada à espera disso, não estava à espera de sentir o que senti quando te vi,
não estava à espera que tu sentisses o mesmo, apenas não estava à espera de
nada disto. Mas tu chegaste e falaste comigo e brincaste comigo e tudo ficou
diferente, literalmente, de um momento para o outro, tudo mudou, e eu não sei
se consigo superar todos os meus sentimentos e sorrir quando te vir, não sei se
consigo fazer isso, não sei se consigo ser assim tão forte, perto de ti.
Estou-me
constantemente a lembrar da tua voz, as ultimas palavras que me disseste
repetem-se na minha mente, uma e outra vez. Tento esquecer o nosso último
toque, porque eu neguei-te algo, neguei-te uma despedida e arrependo-me
continuamente disso e não posso voltar atrás, se pudesse, voltaria ao dia em
que nos conhecemos e dar-te-ia aquilo que tão cordialmente me pediste,
enfiava-me no avião contigo e ficaria para sempre. Achas que estou a ser
exagerada? Achas que estou a ter saudades tuas agora, porque sim? Não, nada
disso. Eu sinto saudades tuas todos os dias, a toda a hora. Desde que te foste
embora, que tenho saudades tuas, mas não digo a ninguém, nunca falo com ninguém
sobre ti, porque ninguém te conhece, porque ninguém quer saber da minha paixão
de verão, porque eu não quero que ninguém saiba que eu sofro todos os dias com
a tua ausência, porque eu não quero que ninguém saiba as saudades que tenho
tuas, porque custa-me estar longe de ti, porque tu és qualquer coisa de
magnífico, tu és a melhor pessoa que alguma vez conheci…
Concentro-me
nas tuas mãos…lembras-te, daquela hora, que estivemos deitados nas toalhas, em
silêncio, a olhar um para o outro, e a aproximarmo-nos um do outro, como nos
filmes? Eu estava concentrada nas tuas mãos, nas tuas mãos e nos teus olhos… E
cada vez que me deito na minha cama lembro-me desse dia, lembro-me desse
momento, lembro-me do teu olhar brilhante, lembro-me das tuas mãos
aproximarem-se das minhas. No dia seguinte, tu já estavas num avião e eu aqui
fiquei… Nunca me vou esquecer das horas que passei a chorar por saber que só te
iria ver daí a um ano. Foi, possivelmente, dos piores dias da minha vida,
enquanto que o dia antes, tinha sido um dos melhores de sempre!
Lembro-me
que tínhamos combinado que quando nos víssemos íamo-nos abraçar, com tudo o que
tínhamos, íamos recuperar todo o tempo perdido, mas tu decidiste que não valia
a pena esperar, eu respeito isso e no entanto não consigo entender porque é que
pensaste que aquilo que sentíamos um pelo outro não merecia ser salvo.
Quando
eu tenho medo, quando estou assustada, fecho os olhos e lembro-me do teu
sorriso, recordo as ultimas palavras que me disseste, sinto as tuas mãos
tocarem nas minhas, porque nada mudou, eu ainda gosto muito, mas mesmo muito de
ti, mas tudo mudou, eu estou em Portugal, e tu estás na Suíça, nada pode ser
feito contra isso, e eu quero tanto ir para perto de ti, embora saiba que estás
feliz, pelo menos iria ver-te todos os dias, é só isso que peço.
Enquanto
tu me dizes que sonhaste muitas vezes comigo, eu continuo a sonhar contigo,
acontece-me frequentemente, acordar de um sonho em que tu eras a personagem
principal, e são, normalmente, os melhores dias que tenho, porque lembro-me da
minha felicidade quando estive contigo, lembro-me daquilo que nós esperámos
ser, lembro-me daquilo que sentíamos um pelo outro, e perco-me nas decisões que
tenho de tomar, perco a coragem para ser forte, deixo escorrer as lágrimas pelo
meu rosto, e escondo um sorriso para mais tarde.
Tenho
medo de te ver um ano depois, tenho medo de quebrar e perder o meu sorriso,
quando te ouvir a falar, e tenho medo porque quando tenho medo me lembro da tua
voz, do teu toque, de ti, e eu não me quero lembrar de ti, porque não quero chorar
de saudades.
Eu sou
aquela pessoa que não mostra o que sente a ninguém, eu sinto o que tenho a
sentir na privacidade, e muitas vezes, escuridão do meu quarto, e quando mostro
o que sinto, normalmente nunca é totalmente, fica sempre uma parte de fora, mas
contigo não foi assim, eu fui totalmente honesta, talvez por não te conhecer de
lado nenhum, talvez por saber que não ias estar cá, talvez por ter medo de te
perder.
Estou
com receio da tua chegada. E se eu fizer figura de parva? E se eu for abaixo? E
se as memórias de ti que tenho arquivadas resolverem aparecer todas
simultaneamente? E se eu começar a chorar? E se o medo de te perder que tinha,
se transformar em medo de memorias de ti?
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